Autor: Gabrielly Fiuza

Relatório da OCDE aponta que o país está entre os que mais tem dificuldade em identificar  notícias falsas; STF e TSE avançam em medidas de regulação 

O aumento do compartilhamento de informações e conteúdos através das mídias sociais contribui em grande escala para a propagação de notícias falsas ou manipuladas. De acordo com uma pesquisa realizada pela OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) chamada ‘THE OECD TRUTH QUEST SURVEY’, o Brasil estaria entre um dos países onde há maior dificuldade de identificar notícias falsas. Esse cenário representa a urgência em estabelecer medidas que visem combater a desinformação na internet.

A proliferação de Deepfakes, manipulação de voz, montagens, disparo e disseminação de mensagens falsas por meio de bots, são alguns dos meios de manipulação digital que tem crescido ao longo dos anos Diante disso, cresce a pressão para que usuários, plataformas e poder público atuem em conjunto no combate ao problema.

Atuação do poder público na regulamentação das redes 

O Marco Civil da Internet (LEI Nº 12.965), que estabelece os direitos e deveres dos usuários e dos provedores de rede, foi sancionado no Governo Dilma e é uma das primeiras medidas para regimentar a utilização dos espaços virtuais. Uma mudança recente em seu Artigo 19, considerado parcialmente inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), marca mais um passo em direção à regulamentação das redes no Brasil, a partir dessa mudança os provedores passam a ser responsabilizados por postagens ilegais de terceiros. 

Entre outras medidas do poder público voltadas à problematica da regulação das redes estão a PL das Fake News (PL 2630/20), que tratava também da responsabilida dos provedores e visava a garantia de maior transparência no meio virtual, e a CPI das Fake News, instalada em 2019 e cuja finalidade era “investigar, no prazo de 180 dias, os ataques cibernéticos que atentam contra a democracia e o debate público; a utilização de perfis falsos para influenciar os resultados das eleições 2018; a prática de cyberbullying sobre os usuários mais vulneráveis da rede de computadores, bem como sobre agentes públicos; e o aliciamento e orientação de crianças para o cometimento de crimes de ódio e suicídio”.

Desinformação eleitoral 

Nos períodos eleitorais, a disseminação de fake news se torna um dos principais fios condutores da desinformação e pode atuar como arma política entre opositores. Narrativas falsas são frequentemente compartilhadas durante as eleições com a finalidade de influenciar negativamente a opinião do eleitorado em relação a algum candidato, partido ou ao próprio sistema eleitoral, buscando descredibilizá-lo. 

Nesse âmbito, o Tribunal Superior Eleitoral atua ativamente para penalizar atos nocivos ao processo eleitoral e para assegurar que ele ocorra de maneira adequada. A RESOLUÇÃO Nº 23.732, DE 27 DE FEVEREIRO DE 2024, que trata da propaganda eleitoral, passa a apresentar diretrizes sobre a transparência quanto ao uso de IA nas propagandas eleitorais, sobre a remoção de conteúdos que possam gerar desinformação e quanto a proibição do uso de deepfake. 

A Justiça Eleitoral conta também com uma rede de checagem que auxilia na averiguação de notícias relacionadas ao processo eleitoral, composta por instituições que compõem o Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação como o Aos Fatos, Estadão Verifica, Fato ou Fake, E-Farsas etc. Essas e outras medidas reiteram o compromisso do poder público em combater a propagação de fake news. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. RESOLUÇÃO Nº 23.732, DE 27 DE FEVEREIRO DE 2024. Altera a Res.-TSE nº 23.610, de 18 de dezembro de 2019, dispondo sobre a propaganda eleitoral.  Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral (DJE/TSE), n. 29, 4 mar. 2024. Disponível em: 

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COUTINHO, Rosiane. Desinformação nas Eleições: O Impacto das Fake News no Processo Eleitoral e a Legislação Vigente para Combater a Desinformação. JusBrasil, 9 set. 2024. Disponível em: 

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VIVAS, Fernanda. Por 8 votos a 3, STF decide que redes podem ser responsabilizadas por posts de usuários. TV Globo, Brasília, 26 jun. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/06/26/stf-retoma-julgamento-sobre-responsabilizacao-das-redes-sociais-por-posts-de-usuarios.ghtml. Acesso em: 11 set. 2025.

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