Autor: Aline Bossi Teixeira
EUA impõem sobretaxa de 50% às exportações brasileiras a partir de agosto de 2025, atingindo fortemente o agronegócio e gerando perdas bilionárias, enquanto o governo brasileiro reage com medidas de mitigação e disputa na OMC.
O governo dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump, impôs a partir de 1º de agosto de 2025, uma sobretaxa de 50% sobre quase todos os produtos importados do Brasil, em meio a uma crise diplomática e tensões comerciais crescentes, e com isso vem gerando fortes preocupações dentro do setor exportador brasileiro.
Nesse sentido, o agronegócio, responsável pela exportação de insumos como suco de laranja, café, carnes e madeira, está entre os mais atingidos. Um estudo do setor estima que as exportações brasileiras aos EUA, que chegaram a somar US$ 12,1 bilhões em 2024, sofrerão uma perda de US$ 5,8 bilhões caso a taxa de 50% seja aplicada integralmente. Dessa forma, setores como o de suco de laranja e madeira poderiam perder 100% das exportações aos EUA, enquanto café pode ter uma redução em torno de 25%, e não suficiente, o etanol e açúcar também perdem competitividade, com uma elevação de custos significativa
Entretanto, apesar do claro prejuízo nas exportações, alguns analistas apontam um possível alívio inflacionário no Brasil em 2025. Isso se daria porque a mercadoria antes exportada para os EUA terá o foco voltado para o mercado interno, assim aumentando a oferta e reduzindo preços. Economistas como Gustavo Cruz (RB Investimentos) afirmam que itens como frutas tropicais e tilápia já apresentam queda de preços. Mesmo assim, é preciso ressaltar que o efeito esperado sobre o IPCA é pequeno, e há ressalvas quanto à continuidade desse impacto em 2026. Além disso, é projetado que o impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá ser limitado, já que as exportações aos EUA representam apenas cerca de 2% do PIB. Por outro lado, os efeitos sobre o câmbio e risco-país podem ser mais sensíveis por conta da desvalorização do real frente ao dólar, fato que pressiona as expectativas inflacionárias e dificulta o controle dos preços.
A partir de conjuntura, o Estado brasileiro incluiu recursos à Organização Mundial do Comércio (OMC) e ativação da Lei da Reciprocidade Comercial (Lei nº 15.122/2025), permitindo contramedidas contra produtos americanos. Não obstante, o governo lançou o Plano Brasil Soberano em 13 de agosto de 2025, com medidas para mitigar os efeitos das tarifas: financiamentos a exportadores, prorrogação de prazos fiscais, flexibilização de tributação para produtos com insumos nacionais e programas de compras públicas, entre outras iniciativas. Ainda foi contratada, em 27 de agosto de 2025, a firma americana Arnold & Porter Kaye Scholer LLP para atuar em ações legais contra as sanções dos EUA. Além disso, o episódio impulsiona uma reorientação estratégica do Brasil quantos os acordos dentro do BRICS, fomentado pelo fortalecimento das relações com a China frente à tensão com os EUA.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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REUTERS. Entenda o tarifaço de Trump sobre Brasil e como impacta a economia. CNN Brasil, 10 jul. 2025. Disponível em:https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/entenda-o-tarifaco-de-trump-sobre-brasil-e-como-impacta-a-economia/
MARTELLO, Alexandro. Tarifaço: analistas veem impacto favorável na inflação brasileira em 2025; cenário é incerto no futuro. G1, 14 ago. 2025. Disponível em:https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/08/14/tarifaco-analistas-veem-impacto-favoravel-na-inflacao-brasileira-em-2025-cenario-e-incerto-no-futuro.ghtml