Autor: Daniel Berro
As fontes de energia sempre desempenharam grandes papéis na sociedade, como a praticidade do dia a dia até aspectos de segurança nacional. Porém, as tensões e disputas políticas envolvendo novas fontes de energia e recursos vitais escassos vêm crescendo cada vez mais. Esse fenômeno é impulsionado pelas divergências políticas entre líderes e elites globais, na tentativa de obter mais poder, em especial, o poder militar.
Diversos conflitos hoje em dia se originam por conta da dinâmica do mercado internacional, altamente interligada com o interesse político ou de empresas. Assim, as terras raras compõem um grande contingente dos recursos de alto interesse geopolítico. Isso acontece pelo fato desses minérios serem usados em indústrias e produtos de alta especialização, como a bateria de carros elétricos e mísseis e drones explosivos. Com isso, a demanda para a exploração de terras raras cresceu exponencialmente, dada as circunstâncias do cenário global, com a insurgência de conflitos militares e a popularização de veículos elétricos.
O Brasil se encontra muito próximo dessa questão, por ser o país com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, além de ser um grande adepto da energia limpa. A partir disso, o Brasil registrou um crescimento expressivo nos requerimentos de autorização para a exploração das terras raras em territórios da Amazônia legal, porém, a grande maioria foi negada devido aos impactos ambientais e culturais da mineração no território da floresta. Isso motivou conflitos e hostilidades entre mineradoras e a população local, principalmente com o garimpo e extrativismo ilegal, como visto na crise humanitária dos Yanomami em 2023.
Além disso, a segurança energética é incentivada atualmente, que consiste na diversificação das fontes de energia de um país, geralmente pela transição energética, um processo que passa do uso de combustíveis fósseis para a energia limpa e renovável. Esse processo é impulsionado pelos conflitos globais, como a Guerra da Ucrânia e o conflito entre EUA/Israel e Irã. Ambos possuem extrema relevância, já que impactaram o fornecimento e encareceram a venda de combustíveis fósseis, já que a Rússia e o Irã são referências na exportação de gás natural e petróleo, respectivamente.
Dessa maneira, os conflitos globais acabam por transcender a esfera política e realizar mudanças nas políticas internas de países. Como exemplo, a Europa investiu, em 2025, cerca de 390 bilhões de dólares em energias limpas, um aumento de 120 bilhões comparado a anos anteriores. Isso também impulsiona a mineração de recursos essenciais para a transição energética, dando destaque às terras raras, muito presentes nos países do Sul Global, gerando pressões econômicas para a exploração por um lado, assim como problemáticas ambientais do outro.
Referências:
O GLOBO, Segurança energética ganha peso geopolítico e impulsiona expansão de fontes de energia limpa. Site oficial, 2026
G1, Terras raras: Pedidos de autorização de pesquisa para terras raras explodem, mas agência teme que bloqueios orçamentários causem prejuízos. Site oficial, 2026
JORNAL NACIONAL, Brasil tem segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas só 1% de produção global. Site oficial, 2026
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