Autor : Arthur Xavier
A 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30) ocorrerá em novembro deste ano em Belém (PA). O Brasil assume o protagonismo de pautar a relação entre clima, povos tradicionais, biodiversidade e desenvolvimento socioambiental.
O Governo Federal enfatiza que a COP30 será um momento singular para o debate das mudanças climáticas. O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, declara: “Agora nós vamos discutir a importância da Amazônia dentro da Amazônia. Nós vamos discutir a questão indígena, vendo os indígenas. Nós vamos discutir a questão dos povos ribeirinhos, vendo os povos ribeirinhos e vendo como eles vivem”.
Na última conferência, realizada em Baku, Azerbaijão, O Brasil apresenta ao mundo suas novas metas para 2035 em desenvolvimento sustentável, combate ao desmatamento e algo pouco debatido, a justiça climática. Também foi atualizada a Contribuição Nacionalmente Determinada, apresentada pela Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. A CND é uma sinalização da ambição e tomada protagonista do Brasil para uma transição de um modelo sustentável.
A COP30 será palco para o Governo do Brasil partilhar sua experiência e implementações no desenvolvimento de soluções econômicas para as mudanças climáticas, o cumprimento na redução de emissões de gases de efeito estufa, preservação da biodiversidade, das florestas, demarcação de terras indígenas e comunidades afetadas por eventos climáticos extremos ou por ação humana.
Apesar das promessas já firmadas ou as que ainda serão debatidas, o Brasil tem o desafio de ser reconhecido como líder de ações na contenção das mudanças climáticas. O desmatamento ilegal, que ainda responde por quase metade das emissões nacionais, continua sendo o maior entrave para a credibilidade internacional.
Os povos originários e ribeirinhos estão na voz do debate da COP30. Conservação ambiental e bioeconomia amazônica são suas pautas de maior importância, entretanto, setores do agronegócio e da mineração defendem flexibilizações ambientais, dificultando o cumprimento integral das metas de conservação. Há um limite político para o cumprimento de todos os compromissos ambientais.
A COP30, portanto, representa tanto uma oportunidade quanto um risco. Se o Brasil conseguir demonstrar coerência entre discurso e prática, apresentando mecanismos de controle efetivo do desmatamento, diálogo entre todos os setores da economia, a garantia de segurança aos povos indígenas e a fiscalização de possíveis cenários de desastres climáticos. Poderá definir-se, em Belém, se o país sairá fortalecido como voz influente na governança climática e transformará sua posição geográfica e ecológica em liderança internacional.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGÊNCIA BRASIL. COP 30 coloca Amazônia e sustentabilidade no centro do debate. Rádioagência Nacional, 16 set. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/meio-ambiente/audio/2025-09/cop-30-coloca-amazonia-e-sustentabilidade-no-centro-do-debate. Acesso em: 17 set. 2025.
AGÊNCIA GOV. Brasil mais capaz de prover soluções climáticas ao mundo. Agência Gov, 12 set. 2025. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202509/brasil-mais-capaz-prover-solucoes-climaticas-mundo. Acesso em: 17 set. 2025.
FORBES BRASIL. O Brasil entre o risco de “tiro no pé” e a chance de liderar o debate climático global na COP30. Forbes Agro, 11 set. 2025. Disponível em: https://forbes.com.br/forbesagro/2025/09/o-brasil-entre-o-risco-de-tiro-no-pe-e-a-chance-de-liderar-o-debate-climatico-global-na-cop30/. Acesso em: 17 set. 2025.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (Brasil). Nova NDC do Brasil representa paradigma para o desenvolvimento do país, diz Marina na COP29. MMA, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/noticias/nova-ndc-do-brasil-representa-paradigma-para-o-desenvolvimento-do-pais-diz-marina-na-cop29. Acesso em: 17 set. 2025.