Autora: Taissa Raimundo Segura

 

A 15º edição da COP (Conferência das Partes), que foi realizada dos dias 23 à 29 de março de 2026 em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil, tinha como principal objetivo promover um fortalecimento do Sul Global com o Brasil, trazendo discussões referentes à proteção da biodiversidade e cooperação internacional. Esse evento marcou uma modificação de paradigmas na relação entre Norte-Sul, em que o bioma Pantanal tornou-se o centro do debate ambiental global. Além disso, o encontro promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em conjunto com o Governo Federal, debateu a conservação de espécies migratórias de animais selvagens, a partir de uma análise em escala mundial.

A priori, é importante estabelecer que a COP15 é um encontro designado aos países-membros da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), sendo a CMS  um tratado que busca tomar decisões referentes à conservação das espécies migratórias, seus habitats e rotas de migração (em toda sua área de distribuição). Durante a COP15, 133 países (que são chamados de Partes) reuniram-se para definir quais eram as prioridades e o orçamento estabelecido para lidar com os problemas vigentes.

Ao reunir cerca de 2 mil representantes dos países Partes, entre eles: organizações internacionais, comunidade científica, povos indígenas, comunidades locais, lideranças ambientais e integrantes da sociedade civíl de diversas partes do mundo,  cria-se uma abertura para debates referentes a estratégias de proteção das espécies migratórias. Nesses encontros, os avanços obtidos geralmente são apresentados, e a partir do estabelecimento desses progressos, medidas de cooperação e mudanças são propostas. Dessa forma, é possível afirmar que a COP é indispensável para garantir a conservação das espécies migratórias, a proteção de seus habitats e as rotas de migração.

Com o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, a conferência reforçou a urgência de unificar esforços globais para garantir a segurança das espécies migratórias e a preservação dos ecossistemas. Durante a abertura da COP, o governador Eduardo Riedel salientou a importância do Mato Grosso do Sul como centro do debate climático mundial, colocando o Pantanal como protagonista no trabalho de preservação. De acordo com Riedel, a riqueza ambiental da região pantaneira é de suma relevância para a manutenção da biodiversidade global, fato que evidencia a necessidade de preservação das espécies migratórias. Para o governador, o Pantanal é um dos biomas mais ricos do mundo, pois mais de 190 espécies distintas estão presentes em seu território, dado que revela a dimensão ambiental da região.

Ao fim de seu discurso, Eduardo projetou a COP15 como um marco para a inclusão científica e institucional do Estado no cenário global. “A COP deve sintetizar esse esforço e consolidar, de forma definitiva, a conexão entre a ciência produzida em Mato Grosso do Sul e o restante do mundo. Nossas universidades estão aqui, firmando parcerias, com alunos indo para o exterior. Estamos ampliando a dimensão global do Pantanal.”

O Brasil opera como um corredor para diversas espécies migratórias, funcionando como espaço para descanso, alimentação e reprodução, ou seja, preservar a biodiversidade brasileira é indispensável para garantir o trânsito de diversas espécies entre os continentes. Para o secretário-executivo e presidente designado, João Paulo Capobianco, a COP15 representa um dos maiores elos de colaboração internacional em prol da conservação da biodiversidade.“As espécies migratórias circulam entre países e continentes. Muitas passam pelo Brasil, mas não pertencem a um único território. Portanto, a COP15 é um gesto de cooperação, de altruísmo altamente relevante e que depende do esforço multilateral da cooperação internacional no seu mais alto valor. E o Pantanal é um eixo fundamental tanto para a conservação quanto para o desenvolvimento sustentável”, afirma Capobianco.

Logo, é possível afirmar que a COP15 tinha como principais objetivos a adoção de compromissos referentes à conservação das espécies migratórias, com ênfase na proteção da biodiversidade do Pantanal e dos corredores migratórios intercontinentais. Para que tais objetivos sejam alcançados, é nítida a necessidade de colaboração entre o Norte e o Sul global, em que os recursos financeiros do Norte possam ser utilizados para promover ações que assegurem a preservação da biodiversidade do Sul, pois as espécies migratórias conectam o planeta, e proteger sua jornada é essencial para preservar a vida.

 

Referências 

BRASIL sedia COP15 em Campo Grande (MS) e lidera debate global sobre proteção de espécies migratórias. COP30 Brasil. Disponível em: https://cop30.br/pt-br/brasil-sedia-cop15-em-campo-grande-ms-e-lidera-debate-global-sobre-protecao-de-especies-migratorias. Acesso em: 5 abr. 2026.

COP15. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/cop15. Acesso em: 5 abr. 2026.

ENTENDA o significado da sigla COP e saiba o que esperar da cúpula sobre o clima. CNN Brasil. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/entenda-o-significado-da-sigla-cop-e-saiba-o-que-esperar-da-cupula-sobre-o-clima/. Acesso em: 5 abr. 2026.

PANTANAL no centro do mundo: COP15 começa com protagonismo de MS e mobilização global pela biodiversidade. Agência de Notícias do Governo de Mato Grosso do Sul. Disponível em: https://agenciadenoticias.ms.gov.br/pantanal-no-centro-do-mundo-cop15-comeca-com-protagonismo-de-ms-e-mobilizacao-global-pela-biodiversidade/. Acesso em: 5 abr. 2026.

Categorias: Meio Ambiente

0 comentário

Deixe um comentário

Avatar placeholder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *