Por: Beatriz Bocato
A NASA realizou a primeira missão lunar tripulada do mundo em mais de 50 anos, Artemis II teria sido uma preparação para o primeiro pouso tripulado no Polo Sul da Lua, previsto para ocorrer em 2028, isso ocorre em meio à ampliação da corrida espacial entre os Estados Unidos e a China. Funcionários da NASA fizeram elogios exagerados ao atual presidente dos EUA, apresentando o discurso de que os norte-americanos foram os únicos a apresentarem avanços com relação à exploração espacial, posição diferente da tomada pela outra potência.
Nesse contexto, a China adotou outro tom, reconhecendo a liderança estadunidense mas ainda sim destacando a sua própria importância, invisibilizada pela mídia: apenas em 2026, o país já realizou dezenove missões não tripuladas à Lua. Apesar de no momento ter enviado apenas robôs ao satélite natural, há de fato um rápido desenvolvimento de suas pesquisas, e pretende-se realizar uma missão tripulada lá até 2030. Além disso, tem o objetivo de até 2035 construir um “modelo básico” da Estação Internacional de Pesquisa Lunar, já que os Estados Unidos não concederam à China acesso à Estação Espacial Internacional (ISS). Essa base tripulada seria liderada pela China e Rússia, e também seria construída no Polo Sul da Lua, tendo em vista amplas pesquisas, utilização de recursos e aperfeiçoamento, o que resultaria em outro objetivo desses países: no futuro realizar um pouso tripulado em Marte.
Tendo essa disputa em mente, a exploração lunar passou a ser estabelecida por quem permanece lá. Em suas diversas missões, a China se transformou na única nação a ter conseguido coletar informações tanto sobre o lado visível, tanto quanto sobre o lado oculto da Lua, com isso, eles estabeleceram planos claros de, posteriormente enviar seu primeiro astronauta, estabelecendo uma presença humana permanente no local. Já a missão Artemis II, pretende estabelecer uma base lunar permanente, para que sejam extraídos recursos valiosos, importantes para que no futuro hajam missões à Marte, além disso eles querem realizar o mesmo feito da potência oriental, e alcançar o lado oculto do satélite. Outro fator a ser considerado é o da defesa nacional, bases lunares podem ser utilizadas para a proteção de territórios terrestres. Assim, é possível notar claras convergências nos objetivos dos países rivais, possuir bases permanentes, explorar o lado oculto do satélite e também Marte. Nessa corrida, quem alcançar os objetivos primeiro, ditará o futuro da exploração lunar, pois possuirá enormes vantagens na exploração dos recursos.
Por fim, em 1967 foi determinado que o espaço seria um patrimônio da humanidade, com o Tratado do Espaço Sideral, mas é claro que na realidade prática, quem possui mais recursos, e assim maior capacidade de exploração, tem vantagens incomparáveis com relação aos que não possuem. Com isso, essa corrida espacial é uma disputa política que mostra duas potências disputando pelo futuro do planeta Terra e da ciência. A China, com posição mais comedida, não pretende “comprar briga” com os EUA, não assumindo que está nessa disputa, mas só por seus avanços tão significativos, ela já entrou nela.
Referências:
Programa lunar tripulado da China visa pouso de astronautas até 2030 | CNN Brasil https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/programa-lunar-tripulado-da-china-visa-pouso-de-astronautas-ate-2030/
Artemis II e o lado oculto da China na Lua | Brasil 247 https://www.brasil247.com/blog/artemis-ii-e-o-lado-oculto-da-china-na-lua
Nova corrida espacial: Por que EUA e China estão de olho na lua? | CNN Brasil https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/nova-corrida-espacial-por-que-eua-e-china-estao-de-olho-na-lua/
Corrida à lua — e além: China desafia supremacia dos EUA na exploração espacial | Exame https://share.google/QoUbKyLuDm1CiIsGM
Corrida espacial: como rivalidade entre EUA e China por volta à Lua gera boom de investimentos em tecnologia – BBC News Brasil https://www.bbc.com/portuguese/articl
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