Autor: Daniel Berro
No dia 26 de abril de 1986, a usina nuclear de Chernobyl teve seu reator nuclear comprometido, causando uma grande explosão radioativa que contaminou a área das cidades de Chernobyl e Pripyat. Após 40 anos, região continua contaminada pela radiação, porém, a usina se encontra em constante ameaça, devido à invasão russa à Ucrânia. Isso vem gerando preocupações na comunidade internacional, principalmente por conta dos perigos de um vazamento de radiação no continente europeu.
A explosão ocorreu por dois fatores em destaque, o modelo do reator e o erro humano. O reator nuclear RBMK tinha um modelo mais ousado, por usar plutônio e grafite em sua operação, diferentemente de reatores convencionais, apontado como uma das causas para o acidente. Por conta dessa inovação, grande parte dos trabalhadores da usina não compreendia completamente o modo de operação do reator, o que gerou diversos erros humanos e falhas de segurança, o que permitiu a ocorrência de um evento extremo, como a explosão.
Com isso, a União Soviética não se pronunciou sobre o acidente, deixando o mundo no escuro a respeito do desastre. Os níveis de radiação emitida passaram a ser tão altos que foram detectados no dia 28 de abril, pela Central Nuclear de Forsmark, na Suécia. Posteriormente, o acidente de Chernobyl passou a ser visto como uma das causas que auxiliou na queda do regime soviético, sendo citada pelo próprio Mikhail Gorbachev, último líder da URSS, como um fator crucial para isso.
A região de Chernobyl foi evacuada com a premissa de um retorno em apenas 3 dias, algo que não aconteceu. Diversos países pela Europa detectaram a radiação vinda do norte ucraniano, espalhando a notícia sobre um suposto acidente, que a União Soviética escondeu do mundo. Foi construído um sarcófago emergencial de aço às pressas, com o propósito de conter a radiação, que foi renovado em 2017. A partir disso, formou-se uma Zona de Exclusão ao redor de Chernobyl e Pripyat, o que inviabilizou a vida humana numa área de 2.200 quilômetros quadrados na Ucrânia e 2.600 quilômetros quadrados na Bielorrússia.
Com o início da invasão russa à Ucrânia, em 2022, a segurança do sarcófago que envolve a usina foi destacada, temendo um novo vazamento radioativo no continente europeu. O governo ucraniano resistiu e fortemente, principalmente por conta da proximidade com Kiev, capital da Ucrânia, entretanto, as tropas russas ocuparam a região, gerando tensões a respeito de um novo acidente envolvendo a usina. Além disso, o domo foi perfurado por um drone russo, em 2025, comprometendo a capacidade de retenção dele. Sendo assim, a comunidade internacional anda preocupada com o desenrolar da situação de Chernobyl, já que o sarcófago não aguentaria outro ataque russo.
Assim, isso coloca o governo ucraniano em um impasse, principalmente por conta de estar constantemente perdendo apoio militar fora da Europa, o que pode resultar num novo ataque à usina, já que um vazamento de radiação causaria um caos generalizado no leste europeu, sem contar com os impactos ambientais irreparáveis, que causaria danos a fauna e flora.
Referências:
PUCRS, Chernobyl: o desastre nuclear. Site oficial.
R7 NOTÍCIAS, Chernobyl: como a guerra entre Rússia e Ucrânia se tornou uma ameaça 40 anos depois. Site oficial.
CNN, Escudo protetor da usina nuclear de Chernobyl foi danificado, diz ONU. Site oficial.
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