- Por: Arthur Xavier
No dia 11 de maio, estudantes das universidades estaduais paulistas Unesp, USP e Unicamp, reuniram-se em um ato organizado, em frente ao prédio da Reitoria da Unesp. A mobilização tinha como objetivo acompanhar a reunião do Fórum da Seis, instância que reúne entidades representativas das três universidades, sendo eles os estudantes, os servidores técnico-administrativos e docentes, no ato também estavam presentes professores da rede pública de ensino do Estado de São Paulo.
A expectativa em torno da reunião era significativa, uma vez que a pauta previa a discussão de reivindicações unificadas das três universidades, construídas a partir de um cenário comum de insatisfação com as condições estruturais, orçamentárias e políticas das instituições. No entanto, a reunião foi cancelada de forma repentina pelos reitores Maysa Furlan (Unesp), Aluísio Segurado (USP) e Cesar Montagner (Unicamp), sem apresentação prévia de justificativa pública detalhada.
O cancelamento foi recebido com críticas por parte dos manifestantes, que interpretaram a decisão como um sinal de descompromisso das reitorias com o diálogo institucional e com a negociação das demandas apresentadas pelos diferentes setores das universidades. Os estudantes também questionaram, se o abrupto cancelamento, na verdade, representa um possível medo dos reitores ao movimento estudantil unificado.
Ainda no início do ato, representantes do movimento unificado de estudantes, servidores e docentes levantaram um questionamento central, indagaram se as reitorias atuam para assegurar os direitos de toda a comunidade universitária ou se estão alinhadas a um projeto de precarização vinculado ao governo de Tarcísio de Freitas. Com o cancelamento da reunião, não houve a instalação de uma mesa de negociação, o que inviabilizou o debate sobre pautas consideradas prioritárias pelos manifestantes, entre elas o aumento dos auxílios de permanência estudantil, o fim da terceirização de serviços, a construção de novos restaurantes universitários, a retomada de obras paralisadas e a ampliação das moradias estudantis, além da recuperação salarial dos servidores técnico-administrativos.
Durante as manifestações concentradas na Praça da República, a aparição dos vereadores Rubinho Nunes e Adrilles Jorge (União Brasil), causou um clima de tensão. Segundo relatos dos manifestantes, houve provocações e episódios de confronto motivados a clara oposição dos parlamentares às reivindicações apresentadas no ato. A intervenção da Polícia Militar do Estado de São Paulo ocorreu sob a justificativa de conter uma suposta briga generalizada, resultando no uso de bombas de gás lacrimogêneo e a dispersão dos manifestantes em direção à Avenida Ipiranga.
A ação policial foi amplamente sentida pelos manifestantes e contribuiu para ampliar a indignação, impulsionando a continuidade do ato pelas ruas da cidade. Mesmo após a dispersão inicial, a mobilização seguiu de forma organizada e pacífica pela Rua da Consolação, com palavras de ordem que denunciavam a política de austeridade das reitorias e exigiam medidas concretas, como a equiparação salarial, a implementação de cotas trans, o aumento do repasse orçamentário às universidades e o fim da violência policial associada ao governo estadual. O ato foi encerrado nas dependências da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, consolidando-se a força de mobilização unificada em defesa da universidade pública.
Como desdobramento das mobilizações, foi convocada uma nova manifestação para o dia 20 de maio, acompanhada do indicativo de greve geral nos cursos das universidades estaduais paulistas, sinalizando a intensificação do movimento e a ampliação da pressão sobre as reitorias e o governo estadual diante da ausência de avanços nas negociações.
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