Por: Beatriz Bocato

A Copa do Mundo de 2026, a maior Copa de todos os tempos (são 48 seleções disputando um total de 104 jogos), por sua enorme proporção e interação entre povos diversos, está deixando escancarado o racismo presente no mundo.
Diversas situações ocorreram nas últimas semanas, envolvendo jogadores, políticos, etc. A mais recente envolve a senadora Celeste Amarilla, do Paraguai, que publicou no X, comentários extremamente ofensivos direcionados ao jogador francês Kylian Mbappé, após o jogo entre Paraguai e França. Além disso, o jogador e seus colegas receberam ataques em outras ocasiões da seleção e dos torcedores argentinos, que diversas vezes cantaram uma música que fala sobre o fato de que a maioria do time francês é composta por pessoas negras, ridicularizando a ancestralidade dos esportistas. A torcida argentina também protagonizou outras situações de desrespeito, quando foram flagrados fazendo gestos e tendo falas racistas em diversas ocasiões, as situações que mais ganharam visibilidade foram as contra o influencer “IShowSpeed”, contra os torcedores do Cabo Verde e do Egito. Nesta última situação, o técnico egípcio fez o símbolo de “X” com os braços, acionando o protocolo antidiscriminação da FIFA, porém ao realizar tal gesto e por ter protestado veementemente, foi punido com um cartão amarelo.
A existência de um protocolo antidiscriminação da FIFA nos mostra que o racismo é reconhecido pela organização como um grande problema. Além desse gesto que pode ser realizado por qualquer um, também foi estabelecido o “Protocolo Vini Jr”, que determina a expulsão imediata de jogadores que cobrirem a boca com a mão durante discussões em campo, o primeiro a ser expulso foi o jogador paraguaio Almirón, na partida contra a Turquia. Apesar disso, as contínuas ações e falas preconceituosas envolvendo a Copa mostram que essas medidas não estão sendo suficientes, que o preconceito no mundo é algo muito maior do que era imaginado. Esta violência tem raízes históricas e hoje envolve grandes instituições, como o governo dos Estados Unidos — que se apresentou extremamente xenofóbico na recepção de jogadores e torcedores de países africanos e asiáticos, até não deixando entrar no país o considerado “melhor árbitro masculino da África” — e, claro, a própria FIFA, que apesar dos protocolos mencionados, foi conivente com as ações dos EUA. Assim, a Copa do Mundo de 2026 está mostrando um lado desprezível da humanidade, e enquanto as grandes instituições não pararem de disseminar ou de apenas aceitar o ódio, ele não vai parar, porque esses jogadores, torcedores e anônimos da internet são apenas um reflexo de algo muito maior.
Referências:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgqj50w7j49o
https://almapreta.com.br/sessao/cotidiano/racismo-xenofobia-elitismo-copa-eua/
https://almapreta.com.br/sessao/cotidiano/vitoria-argentina-egito-denuncias-racismo/
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