A reforma política deve voltar ao centro das discussões no Congresso a partir de 2027. No final de 2025, o PT (Partido dos Trabalhadores) anunciou que pretende retomar o debate histórico sobre mudanças no sistema eleitoral, entre elas a adoção do voto em lista fechada. Nesse modelo, o eleitor votaria no partido, e não diretamente em um candidato. A proposta busca fortalecer as organizações partidárias e diminuir a personalização das campanhas.

Segundo carta divulgada pelo partido, “é por meio de partidos fortes, democráticos e programáticos que o sistema político pode se tornar mais representativo, mais estável e menos vulnerável ao fisiologismo e à captura oligárquica do Estado” (BRASIL DE FATO, 2026).

A proposta, porém, levanta uma questão importante: mudar as regras eleitorais é suficiente para tornar a política mais representativa? O sistema atual ainda apresenta desafios como a desigualdade nas disputas eleitorais, a influência dos recursos financeiros e a dificuldade de grupos historicamente sub-representados conquistarem espaço nas instituições.

As eleições de 2026 tornam esse debate ainda mais relevante. Além da disputa entre diferentes projetos para o país, o cenário eleitoral também tem sido marcado pelo crescimento de discursos conservadores e propostas mais radicais. Um exemplo é a candidatura de Renan Santos, que defendeu a adoção de um regime de exceção em áreas dominadas pelo crime e a criação de uma bomba atômica pelo Brasil.

Durante entrevista, o candidato afirmou que pretende utilizar o Estado de Defesa em favelas e relacionou a medida à possibilidade de que seus moradores “se tornem cidadãos”. Em outro momento, também criticou a política externa do governo Lula e afirmou que o Brasil seria “vassalo da China”, desconsiderando o apoio chinês ao país durante o conflito comercial com os Estados Unidos. (BRASIL DE FATO, 2026)

O episódio mostra que a representação eleitoral não envolve apenas quem é eleito, mas também quais ideias ganham espaço dentro das instituições. Discursos que defendem medidas de exceção, por exemplo, passam a fazer parte da disputa democrática quando conseguem alcançar eleitores e transformar essas propostas em plataformas eleitorais.

Por isso, o debate sobre reforma política precisa ir além da escolha entre lista aberta ou fechada. É necessário discutir quem tem condições de disputar eleições, quem consegue chegar ao poder e se diferentes setores da sociedade estão realmente representados.

A reforma pode ser uma oportunidade para aproximar a política da população, mas também pode produzir novos problemas dependendo de como for construída. Se a intenção é fortalecer a democracia, não basta mudar a forma como os votos são transformados em cadeiras, é preciso garantir que mais vozes tenham condições reais de participar da política e de serem ouvidas.

REFERÊNCIAS

SANTIAGO, Lorenzo. PT retoma discussão da reforma política com promessa de colocar pauta no centro dos debates a partir de 2027. Brasil de Fato, Brasília, 6 jan. 2026. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/01/06/pt-retoma-discussao-da-reforma-politica-com-promessa-de-colocar-pauta-no-centro-dos-debates-a-partir-de-2027/

RICK, Frederico Santana. Eleições 2026: entre a recolonização e a democratização do Brasil. Brasil de Fato, 1 set. 2026. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/colunista/brasil-popular/2026/09/01/eleicoes-2026-entre-a-recolonizacao-e-a-democratizacao-do-brasil/

BRASIL DE FATO. Renan Santos diz que vai adotar “regime de exceção em favelas” e defende que o Brasil deve ter bomba atômica. Brasil de Fato, São Paulo, 26 ago. 2026. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/08/26/renan-santos-diz-que-vai-adotar-regime-de-excecao-em-favelas-e-defende-que-o-brasil-deve-ter-bomba-atomica/


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