Autor: Daniel Berro

As organizações internacionais desempenham um papel central na esquematização do cenário internacional contemporâneo, regulando regras do direito internacional, a forma como negociações diplomáticas ocorrem e definindo padrões de comércio entre nações. Porém, o cenário político a partir de 2020 vem se tornando cada vez mais instável e individualista, com a ascensão de movimentos nacionalistas e individualistas, que priorizam certos grupos sociais e povos, abalando a integração já estabelecida e descredibilizando a postura multilateral da política externa da maioria dos países. Isso dificulta as relações internacionais e cria barreiras políticas, podendo até mesmo estimular conflitos entre diferentes governos, que possuem diferentes objetivos e ideologias.

O conceito de uma organização global que auxilie na cooperação e resolução de conflitos em conjunto surge a partir do fim da Primeira Guerra Mundial, com a Liga das Nações.

Atualmente, o órgão responsável por um papel similar e bem mais amplo é a Organização das Nações Unidas (ONU), criada em 1945, com a função de manter a paz e o diálogo entre o globo. A ONU atua em outras áreas como nas imigrações e na saúde global, geridas pela UNICEF e pela OMS, respectivamente, auxiliando refugiados e povos em situação de vulnerabilidade, extrema pobreza ou perseguição.

Entretanto, a maneira como a ONU é administrada é a sua principal falha, composta pelo conselho permanente, representado pelos EUA, França, Reino Unido, China e Rússia, vencedores da Segunda Guerra Mundial. Esses representantes possuem o poder absoluto do veto, que impede que uma proposta seja passada adiante por outros países. Além de ser um ato injusto comparado ao resto dos países membros da ONU, o veto é majoritariamente utilizado para reforçar interesses nacionais e hegemônicos dessas potências. Também, países da África e da América do Sul não são contemplados pelo conselho permanente, outra crítica apontada pela comunidade internacional.

Assim, o multilateralismo passa a ser descredibilizado, pois ele acaba por falhar em englobar potências emergentes como o Brasil e a África do Sul. Por outro lado, movimentos ultranacionalistas prezam pela menor integração global e favorecimento dos ideais do movimento, excluindo minorias e imigrantes. Como exemplo, o movimento Make America Great Again (MAGA) nos Estados Unidos possui fortes ideias anti-imigração e prioriza o povo americano acima de tudo, abraçado diretamente pelo presidente americano Donald Trump, principal representante dessa ideologia.

Dessa maneira, a tendência é que as desconfianças e a crise do multilateralismo apenas se aprofundem, principalmente pelos conflitos ideológicos e militares atuais, como o conflito de Israel contra a Palestina e a Guerra da Ucrânia. Ambos envolvem diretamente o financiamento de potências mundiais e membros do conselho permanente, como os EUA e a Rússia. Isso põe em xeque as relações internacionais atuais, que podem caminhar para o isolacionismo generalizado e desconfiança mútua. Portanto, esses fatos demonstram a necessidade da reformulação do conselho de segurança da ONU, de maneira que ele se torne equitativo para todas as partes do globo, permitindo que o multilateralismo continue em vigor.

Referências:

NYEGRAY, João Alfredo. A crise do multilateralismo: porque o mundo parou de fazer acordos. ND Mais notícias, 9 de set. de 2026.

LUCAS, John. ONU, OMS e OTAN: era Trump coloca em xeque o papel das organizações internacionais. Gazeta do Povo, 7 de jun. de 2025.

OESTE, Redação. Organizações internacionais: o que são e qual o seu papel no mundo. Revista Oeste, 23 de mar. de 2026.


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