Autor(a): Daniel Berro
Durante a história, os seres humanos enfrentaram diversos surtos de doenças diferentes, como a varíola e a peste negra.
Desde 1920 a humanidade não enfrentava uma doença tão infecciosa como a gripe espanhola, porém isso mudou com o surgimento do SARS-CoV-2, conhecido popularmente como o vírus da Covid-19. Dessa forma, num mundo extremamente conectado e globalizado como o nosso, é impossível que uma doença transmitida pelo ar e altamente contagiosa se torne algo isolado. Também, certos países não foram afetados da mesma maneira, especialmente por conta da disponibilidade de insumos e leitos médicos para doentes. Apesar da crescente crise do multilateralismo, a comunicação entre as comunidades científicas e acadêmicas entre países aumentou consideravelmente, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento de uma vacina.
Durante o ano de 2020, o primeiro ano da pandemia e lockdown determinado pela OMS e os governos globais, o cenário internacional se fechou completamente, com cada país resolvendo questões internas da Covid-19 enquanto lidavam com estagnações econômicas.
Essa primeira fase da pandemia foi uma corrida contra o tempo e uma competição entre as economias globais para adquirir máscaras, equipamentos de proteção e esterilização e respiradores, porém, a escassez de oxigênio e equipamentos de intubação era inevitável, especialmente na passagem para 2021.
No solo brasileiro, a cidade de Manaus viveu uma grande crise, com sobrecarga extrema do sistema de saúde pública, falta de equipamentos, remédios, respiradores e oxigênio. Além disso, o descaso do Governo Federal, sob a gestão de Jair Bolsonaro, impossibilitou uma abordagem rápida e eficiente, bem como atraso da distribuição e compra de vacinas. Essas ações causaram uma comoção internacional e nacional, fomentando discussões políticas dentro do nosso país.
Já no cenário global, a rivalidade entre os EUA e a China crescia, principalmente na distribuição das vacinas e no desenvolvimento de novas tecnologias na medicina. Essas disputas culminaram na saída dos EUA da OMS em 2026, já que o atual presidente, Donald Trump, criticava fortemente a organização, acusando-a de ser “chinocêntrica”.
‘. Por outro lado, a India formou
parcerias novas e agiu de maneira conciliadora, prezando pela compaixão no enfrentamento da doença e ajudando países emergentes fornecendo insumos médicos e cooperação.
Assim, a pandemia prejudicou disputas ja existentes, bem como ajudou países a cooperarem no âmbito da saúde, promovendo parcerias acadêmicas visando o desenvolvimento. Uma situação de crise sanitária como essa tende a inflamar conflitos, como a disputa hegemônica entre EUA e China, bem como criar disputas e protestos contra governos, como no Brasil e na Italia.
Pode-se dizer que o isolacionismo promovido pela pandemia contribuiu significativamente para a crise do multilateralismo atualmente, principalmente para os países desenvolvidos europeus e Estados Unidos. Entretanto, esse momento pode dar destaque para outros países
fora do cenário hegemônico ocidental, como no caso da India e China, criando inovações na medicina e reforçando a cooperação entre países para o desenvolvimento científico de vacinas.
Referências:
QUEIROZ, Christina. Diplomacia contra a covid
19. Pesquisafapesp, abril de 2022.
DUARTE, Fernando. Coronavírus: as tensões diplomaticas que a pandemia provocou ao redor do mundo. BBC News Brasil, 12 de abr. de 2020.
CHATTU, Vijay Kumar. A ascensão da diplomacia global da India na área da saúde em meio a pandemia de covid-19. National Institutes of
Health (NIH), 16 de dez. de 2023.
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