Por: Gisele Ribeiro

     “O El Niño de 2026 pode ser o mais intenso em décadas” (HADDAD, 2026).
     O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e modifica os padrões de ventos e chuvas em diversas regiões, provocando impactos significativos em escala global. No Brasil, os efeitos mais comuns incluem períodos de estiagem em algumas regiões e chuvas intensas em outras, além de prejuízos à agricultura, ao abastecimento de água e à geração de energia.
Estudos meteorológicos indicam que o El Niño previsto para o ciclo 2026-27 poderá apresentar intensidade incomum, sendo classificado como um Super El Niño. Nos últimos 150 anos, eventos dessa magnitude ocorreram apenas quatro vezes: 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Caso as projeções se confirmem, o evento de 2026-27 será o quinto registrado, reforçando a tendência de intensificação dos eventos climáticos extremos em um cenário de aquecimento global (HADDAD, 2026).
     Segundo Haddad (2026):
     “As projeções divulgadas pela NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos) em maio de 2026 apontam 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho, e 96% de que o fenômeno se mantenha entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, o que significa impactos que podem se estender até pelo menos o segundo semestre de 2027. A intensidade máxima ainda é incerta, mas o que pode definir a gravidade é, em grande medida, o nível de preparação e resiliência dos países, estados e cidades que serão atingidos.” (HADDAD, 2026).
     No Brasil, um dos setores mais vulneráveis aos impactos do fenômeno é o agronegócio, o que pode afetar diretamente a produção e o preço dos alimentos. De acordo com reportagem do G1 (2026), culturas como café, milho, feijão, arroz, frutas e hortaliças poderão sofrer perdas devido às alterações das chuvas e às temperaturas mais elevadas. Como consequência, a redução da oferta desses produtos pode provocar aumento nos preços, afetando tanto os produtores quanto os consumidores.
     Além dos impactos econômicos, um Super El Niño pode intensificar eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, enchentes e ondas de calor, exigindo ações de prevenção e adaptação por parte dos governos e da sociedade. Dessa forma, o fortalecimento de políticas públicas voltadas à mitigação das mudanças climáticas e ao aumento da resiliência da população torna-se essencial para reduzir os prejuízos sociais, ambientais e econômicos causados por esse fenômeno.

REFERÊNCIAS 

HADDAD, Caroline. Super El Niño em 2026: o que esperar e porque precisamos nos preparar. Greenpeace Brasil, 26 maio de 2026. Disponível em: https://www.greenpeace.org/brasil/blog/super-el-nino-2026/. Acesso em: 12 jul. 2026.

EL NIÑO ameaça produção e pode encarecer alimentos no Brasil; veja os mais afetados. g1, 5 jul. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/07/05/el-nino-ameaca-producao-e-pode-encarecer-alimentos-no-brasil-veja-os-mais-afetados.ghtml. Acesso em: 12 jul. 2026. 



0 comentário

Deixe um comentário

Avatar placeholder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *