Autor: Fabio Neto
Poucos dias antes da conferência que discutiria uma “solução de dois Estados”, as tensões no Oriente Médio voltam a aumentar
Durante os dias 17 a 20 de junho, deveria acontecer uma conferência para que houvesse um avanço em direção a uma resolução pacífica e a criação de um Estado palestino, além da regularização de seu territorio. Tal evento seria co-presidido por representantes da Arábia Saudita e França e aconteceria em Nova York.
Apesar da confirmação por porta-vozes da ONU e dos preparativos, o presidente da França Emmanuel Macron notificou o adiamento do encontro, tendo em vista as últimas tensões ocorridas entre o Irã e Israel, e insistiu que será remarcado “o mais rápido possível”. Além da instabilidade e incerteza no cenário internacional, questões logísticas e organizacionais também foram usadas como justificativa pelo governante francês, uma vez que representantes palestinos não poderiam comparecer.
Esta conferência seria importante passo em direção ao estabelecimento da paz, combate ao terrorismo e fim da espiral de violência vivenciada pelo Oriente Médio, tendo como base a “solução de dois Estados”, uma pauta já discutida a décadas, que propõem a criação e convivência de dois Estados, Israel e Palestina. Para isso seria necessário o reconhecimento da Palestina como um Estado independente e delimitação de seu território em relação a Israel.
Porém, apesar da expectativa de melhora, o ataque israelense ao Irã, que ocorreu na noite da última quinta-feira (12), frustrou o andamento das negociações antes previstas. O conflito entre os dois países, que assumidamente adotam uma postura contrária à coexistência dos Estados de Israel e da Palestina, tem início precisamente no momento em que os outros atores internacionais buscam trilhar o caminho em direção a uma resolução diplomática.
Os mísseis lançados por Israel, que atingiram pontos estratégicos, seriam uma prevenção a uma iminente ameaça nuclear por parte do Irã. O país Árabe rapidamente respondeu a investida Israelense, bombardeando Tel Aviv e outros pontos impor tantes. A postura adotada pelas nações mostra que o embate tende a continuar e o uso da força deve escalar. Dessa forma, não se pode prever em que momento o diálogo e a diplomacia será retomada e mais uma vez a segurança e a integridade dos afetados ficam em segundo plano.
Enquanto o sistema internacional, ou parte dele, não se compromete a debater uma solução, a população civil de Gaza segue enfrentando um bloqueio prolongado, a precarização das condições de vida e uma crise humanitária que se agrava cada vez mais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
https://www.cartacapital.com.br/mundo/como-a-guerra-entre-ira-e-israel-sabota-um-estado-palestino/