Autor(a): Taissa Raimundo Segura

Os minerais críticos são recursos fundamentais para os setores estratégicos (tecnologia, defesa e transição energética), na qual a oferta está sujeita a riscos de escassez ou dependência de segundos. Elementos como lítio, cobalto, níquel e o conjunto das terras raras são os mais conhecidos, uma vez que estão presentes na composição de baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e painéis solares. Esse conjunto de elementos é importante para a viabilização de inovações tecnológicas e aprimoramento de energias renováveis, pois ajudam a reduzir significativamente a pegada de carbono. A garantia da segurança econômica e geopolítica é um dever do Estado, e diante da crescente demanda global por sustentabilidade e digitalização, tratar as questões que envolvem os minerais críticos passa a ser uma necessidade.

No começo do mês de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma reunião sobre minerais críticos, e afirmou que o tema necessita de um parecer do governo referente à condução da política para esses elementos estratégicos. De acordo com o presidente, os minerais podem garantir ao Brasil soberania em setores como o tecnológico, financeiro e de conhecimento, além de afirmar que a participação do Estado é essencial para garantir o desenvolvimento de inovação, pois avanços desse calibre pedem suporte governamental, como no caso do petróleo no século passado. O presidente também declarou que o Brasil possui plena capacidade de medir forças com as grandes nações no processamento e desenvolvimento dos minerais críticos, citando a China como exemplo.

O interesse de potências militares como os Estados Unidos, Rússia e China nos minerais críticos acenderam um alerta no presidente, que declarou com veemência não querer guerra, somente assegurar a soberania territorial do país. A discussão sobre soberania mineral tem ganhado espaço na agenda geopolítica internacional em decorrência da disputa comercial e tecnológica entre as potências Pequim e Washington. Em entrevista posterior à reunião referente aos minerais críticos, o presidente do Brasil garantiu que não irá permitir que aconteça com esses elementos o que aconteceu com o ouro, prata e minério de ferro brasileiro. Dessa vez, disse Lula, a nação que tiver interesse de explorar os minerais e as terras raras brasileiras deverá fazer o processo de transformação dentro do país, pois o Brasil não irá mais exportar esse tipo de matéria-prima.

Dessa forma, fica evidente que o presidente enxerga os minerais críticos como um assunto importantíssimo, pois o tema é uma das prioridades na agenda do governo. Antes da reunião, Lula acreditava que o país tinha conhecimentos limitados nesse ramo, entretanto, após o encontro, ficou claro o potencial de conhecimento que o Brasil possui, além de possuir capacidade de formação de profissionais e empresas aptos a atuar nessa área. Assim, é possível afirmar que o recente posicionamento do presidente da República Federativa Brasileira é de otimismo e apoio a soberania do país quanto aos minerais críticos.


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